Compartilhar algo que você tem em dobro com alguém que você ame. Não, este não é um texto de romance. Embora uma frase dessa encaixaria perfeitamente para definir a situação de um casal apaixonado. Só que, para falar de algo ainda mais nobre como o transplante renal, achamos que seria maravilhoso iniciar o post com essa oração. Afinal, falaremos da doação de rim, um gesto desprendido de egoísmo e empreendido pelo amor. Você gostaria de saber como doar um rim em vida, veja tudo sobre nas próximas linhas.

Este post foi dividido em tópicos, para que você possa ler com tranquilidade:

Como funciona: doar um rim em vida

Há alguns meses, escrevemos neste blog um post explicando como ser doador de órgãos. Nele, citamos que é possível tanto doar um rim quanto receber um transplante renal. Entre outras informações, esclarecemos que a doação de rins e a doação de fígado somente são permitidas quando é para parentes ou mediante autorização da justiça.

Isso é a legislação brasileira que determina. Portanto, no nosso país, uma pessoa doar um rim quando ainda está viva pode ser efetuada para beneficiar a saúde de algum parente até o quarto grau, ou seja:

  • Mãe;
  • Pai;
  • Irmãos;
  • Tios;
  • Avós;
  • Demais familiares que se encaixam no grupo.

Para não aparentados, doar um rim em vida apenas é possível por intermédio de autorização judicial. Assim, como sempre vale lembrar, a nossa legislação não permite — de maneira nenhuma — a venda de órgãos.

Como assim? Porque é possível doar um rim em vida

Localizados em ambos os lados da coluna vertebral, atrás das últimas costelas, os rins são relativamente pequenos (apenas 12 centímetros) e têm funções específicas para o bom funcionamento do organismo:

  • eliminar toxinas e dejetos resultantes do metabolismo;
  • eliminar o excesso de água, sais e eletrólitos, mantendo o equilíbrio hídrico;
  • produzir hormônios como eritropoetina (que faz parte da formação dos glóbulos vermelhos), vitamina D (que auxilia a absorvição de cálcio para os ossos) e renina (que regula a pressão arterial).

Geralmente, os rins são órgãos que se encontram duplicados no corpo humano, que podem muito bem funcionar sozinhos. Segundo detalha a Fundação Pró-Rim, até existem pessoas que nascem com apenas um rim, e só vão perceber caso descubram em algum exame ocasional.

Características de quem opta por doar um rim em vida

Para doar um rim, conforme as condições que apresentamos anteriormente, o doador tem de manifestar de maneira espontânea a vontade de aceitar o transplante renal, ou seja, deve ser voluntário.

Aliás, somente pode doar um rim em vida a pessoa que tenha idade superior aos 21 anos, portanto, ser maior de idade. O próprio Ministério da Saúde diz que o doador deve ser um cidadão juridicamente capaz e que deve estar em condições de doar um rim sem o comprometimento da própria saúde.

Compatibilidade para doar um rim

Assim como na doação de órgãos em geral, para o sucesso do transplante renal, precisa existir uma compatibilidade entre o doador e a pessoa que receberá o rim doado. É por causa da necessidade disso que irmãos gêmeos univitelinos são o que mais apresentam maior probabilidade para a doação, seguido por irmãos e pais.

Um dos exames que atestam a compatibilidade para o transplante de rins é o chamado cross-match ou prova cruzada, em que se mistura o sangue do doador com o do receptor. Outro teste, a tipificação HLA, identifica as variantes de proteínas que alertam as células de defesa do organismo sobre a presença de moléculas estranhas.

À espera de um transplante de rim

Caso não haja um doador compatível entre familiares do paciente que necessita da doação de rim, o jeito é recorrer a doadores que tiveram morte encefálica. As listas de espera de transplantes funcionam da seguinte maneira: existem listas estaduais, que são formadas pelas listas regionais. São cerca de vinte mil brasileiros na fila de espera por um rim, segundo a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Mas é preciso ainda compreender que não se trata de uma fila, na qual quem chega primeiro tem a preferência. Não é isso. O que determina a prioridade é a compatibilidade entre doador e receptor e, depois, a urgência do transplante renal, no caso a impossibilidade total de acesso para diálise. Somente após isso, caso haja dois ou mais pacientes compatíveis e com o mesmo grau de urgência, é que o tempo de espera e outras características são usadas como critério.

Riscos de doar um rim

Doar um rim tem seus riscos, como qualquer cirurgia de retirada. Porém, de acordo com o Serviço de Transplante Renal da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o maior risco é a anestesia geral aplicada no doador — mesmo assim, é considerado um risco pequeno.

Para minimizar as possibilidades de insucesso do transplante renal, que possam prejudicar diretamente o doador de rins, é feita uma avaliação clínica completa. A boa notícia fica no pós-operatório. Após doar um rim, o outro rim que permaneceu faz a função dos dois em uma adaptação que tende a ocorrer rapidamente.

Transplante renal: quem deve receber o rim doado?

O transplante de rim é um dos métodos de tratamento para portadores de doença renal crônica, que vai, aos poucos, fazendo com que os rins percam as suas funções, conforme já ressaltamos anteriormente.

No entanto, apesar de ser um recurso, o transplante de rins não é indicado para todos esses pacientes. Dessa forma, a necessidade varia e cada caso deve ser analisado pela equipe médica que cuida do paciente.

Sucesso do transplante renal

Em média, um transplante de rim dá uma sobrevida ao paciente por cerca de quinze anos. Só que existem pessoas que fizeram o transplante há mais de 30 anos no Brasil e conseguiram ter uma vida plenamente normal.

A Unesp também aponta que as chances de sucesso no final do primeiro ano são de 80%. O número varia de acordo com cada paciente. Os maiores problemas são infecções e rejeições, o que estão cada vez mais bem controlados por conta das medicações utilizadas pelo transplantado.

Quer doar um rim, converse com o seu médico

Todas as informações que colocamos aqui neste post são para esclarecer quem tem a vontade de doar um rim em vida. Reunimos dados e informações para que pudéssemos oferecer um panorama geral para quem tem vontade de compartilhar este gesto de amor.

Entretanto, caso você queira outras informações a respeito da doação de rins, do transplante renal e da funcionalidade desse par de órgãos, procure um médico de sua confiança. De qualquer forma, isso tudo pode significar mais que um transplante de órgãos, como também uma doação de vida.


1 Comment

Cristina Lopes · 06/05/2018 às 11:41

Penso que até para praticar a doação é uma situação um tanto quanto complexa. Quem não tem meios de se consultar com um médico particular fica à espera de uma consulta na rede pública, que pode demorar mais de um ano. Penso que neste tempo muitas vidas poderiam ser salvas e não são por conta deste tempo desperdiçado. Procurarei saber se existe no sistema de saúde pública um caminho mais curto para esta situação, contudo, se alguém souber e puder me adiantar a informação ficarei grata.

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