Existem coisas em nossas vidas que não gostaríamos de ter feito. Existem outras que nos orgulhamos de ter realizado. Cada um tem a sua história, as suas lembranças… E cada um sabe bem o que de si deixará marcado para a eternidade. Alguns são bons em construir coisas. Outros, em contar histórias. Há aqueles que, de sua sabedoria, ofertam ensinamentos. E tantos outros que, das mais diferentes formas, transformam pra melhor este mundão. Só que existem pessoas tão especiais que, no último suspiro, dão graça à vida de alguém — que nunca conhecerão —, fazendo parte disso até que esse também dê o seu último suspiro. Afinal, como ser doador de órgãos e não ser chamado de herói? Impossível.

Essa breve introdução é uma singela forma de homenagear e louvar quem deixa uma parte de generosidade na Terra.

A doação é algo que temos muitas vezes citado aqui neste blog como caminho para dar um jeito na nossa sociedade. Existe até um texto que explica o que significa doar para um mundo que ainda tem jeito.

Neste post, focaremos em tudo o que pode haver sobre doação de órgãos e tecidos, eliminando as suas dúvidas e corrigindo alguns pensamentos, que, quando o assunto é tratado por aí, podem fomentar equívocos.

Esse material é ideal para quem tem vontade de saber como ser doador de órgãos.

Esperamos que você tenha uma boa leitura e, qualquer dúvida, deixe um comentário no post. Rapidamente tentaremos responder.

Aceitação dos brasileiros em doar órgãos

Todos os anos, o número de transplantes de órgãos feitos no Brasil cresce. No entanto, ainda há muita gente na fila. À espera de uma doação de órgãos, pacientes veem a esperança entrelaçada a outro número nem tão pouco confortador: quase metade das possibilidades de doação não são concretizadas, porque não é dada a autorização.

E, todos os anos, uma barreira cresce, alimentada por muitos mitos sobre a doação de órgãos que persistem em conversas entre a população. Ninguém é obrigado a doar. Longe disso. O problema é que, muitas vezes, algum pensamento ou outro pode impedir que mais vidas sejam salvas.

Todos os anos, todos os dias, podemos fazer algo por alguém.

Entendendo como ser doador de órgãos e a decisão da família

Ao contrário do que muita gente pensa, para ser doador de órgãos, não é necessário deixar nada escrito.

Não precisa, portanto, registrar-se em cartório ou, então, tirar outra via do RG com a inscrição “Sou doador de órgãos”, por exemplo.

Atualmente, nenhum documento é considerado válido para atestar o desejo da pessoa em tentar ser doador de órgãos.

Isso porque, na hora que surgir a possibilidade de doar os órgãos, quem vai decidir sobre isso é a família.

O que torna a conversa prévia sobre o assunto extremamente importante.

As pessoas que têm interesse em como ser doador de órgãos devem, primeiramente, conversar com seus familiares.

Assim, abre também uma porta para que outros entes queridos entendam o que é doação de órgãos e a importância de doar.

Aí, quando por uma eventualidade não puder mais responder por você mesmo, sua família saberá do seu pensamento e desejo e poderá mais facilmente respeitar a sua opinião, dizendo sim à doação de órgãos.

Quando ocorre o contrário e a família não sabe da opinião do ente que, infelizmente, acabou de falecer, isso causa um tremendo impacto. Assim, os familiares tomam a decisão como pessoais.

É muito mais fácil quando a família já sabe e tem consciência da decisão da pessoa.

Mitos e inverdades

Para entender como ser doador de órgãos, é preciso separar as informações corretas de alguns mitos que se espalham por aí.

O primeiro, e o mais famoso, é sobre o roubo de órgãos.

Em todo o território brasileiro, conforme preconiza a Legislação sobre remoção para o transplante de órgãos, não pode haver a venda de órgãos e tecidos.

E, pelo fato de a família ter de aceitar a doação de órgãos para que qualquer procedimento seja realizado, com certeza, evita esses crimes e torna o gesto mais seguro.

Outro pensamento equivocado acerca da doação de órgãos diz respeito que, quando se doa, o corpo tem de ser sepultado em caixão lacrado.

É um mito. É uma mentira que muito influencia negativamente a decisão das famílias sobre doar órgãos.

Quando ocorre a cirurgia de retirada para o transplante de órgãos, todo cuidado é tomado e o corpo do doador não sofre nenhuma alteração que impossibilite o prosseguimento do velório.

A morte do corpo e a sobrevida do órgão

Por mais que seja um momento difícil pra família, uma decisão precisa ser tomada.

Infelizmente, aquele parente veio a falecer.

O diagnóstico da morte encefálica, que deixa muita gente em dúvida, é feito por três médicos em momentos diferentes, com dois exames clínicos e mais um exame complementar. Assim, a pessoa que está considerada encefalicamente morta veio a óbito de fato.

Assim, se há a oportunidade de doar os órgãos (mais abaixo, explicaremos direitinho como ser doador de órgãos, detalhando as condições e as restrições) e a pessoa já expressou sua intenção, faça isso.

A família precisa ter um coração forte e sensível ao mesmo tempo.

A vida continua.

Como ser doador de órgãos sem impedimentos

É possível doar 20 órgãos e tecidos do corpo humano. Claro que um doador não vai ter retirado tudo isso de seu corpo, mas são estes os órgãos possíveis de serem doados:

  • cabeça do fêmur
  • cartilagem costal
  • coração
  • crista ilíaca
  • córnea
  • fascia lata
  • fígado
  • intestino delgado
  • medula óssea
  • ossos longos
  • ossos do ouvido interno
  • pâncreas
  • pele
  • pulmão
  • rim
  • sangue
  • tendão da patela
  • válvula cardíaca
  • vasos sanguíneos
  • veia safena

Tendo em vista essa gama de possibilidade, vem a pergunta: como ser doador de órgãos?

Pois bem, todas as possibilidades de doação estão sujeitas à saúde do organismo do doador e as condições que se encontram os órgãos que serão doados.

Por exemplo: quem for o doador não pode ter doenças que serão transplantadas ao receptor, como câncer ou tuberculose.

Já a restrição de idade depende de cada órgão:

Como ser doador de órgãos: idade limite
Fonte: Ministério da Saúde
Coração 55 anos
Córneas sem limite de idade
Fígado 70 anos
Ossos 65 anos
Pâncreas 50 anos
Pele 65 anos
Pulmão 55 anos
Rim 75 anos
Válvulas cardíacas 65 anos

Quando a doação de órgãos é decorrente à morte clínica do doador, porém, apenas é possível a retirada de alguns órgãos que não dependem diretamente da circulação de sangue — o que não ocorre quando a morte é encefálica.

Quero saber como ser doador de órgãos em vida

Ah, quer entender como ser doador de órgãos neste momento exato?

Existem muitas formas de ajudar o próximo desta maneira.

A mais comum, e que sempre precisa, é a doação de sangue. A gente falou muito sobre ela num outro post.

Você também já deve ter ouvido falar da doação de medula óssea, outra maneira de doar órgãos em vida. Muitos confundem a medula óssea com a medula espinhal. São coisas totalmente diferentes, e doando medula óssea, o doador não corre nenhum risco.

Tem como ser doador de órgãos como rim ou fígado em vida também, e isso é permitido ou quando é para parentes ou com autorização da justiça. Esse tipo de cirurgia para transplante de órgãos oferecem mais riscos. Exatamente por esse motivo há exigências para doar.

Esperamos que tenham gostado do nosso tutorial de como ser doador de órgãos.

Para quem deseja ser doador, tem de avisar primeiro a família: pais, filhos e quem mais estiver por perto. Não se esqueça que assim ficará mais fácil quando a decisão tiver de ser tomada.

Categorias: Doação

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