Não é fácil para um cadeirante se locomover pelas ruas e calçadas das grandes cidades brasileiras. Buracos, desníveis de altura, escadas… Ser portador de necessidades especiais representa, além das limitações que já estão impostas, limitações agravadas por causa da pouca ou nenhuma atenção oferecida pelas autoridades públicas. Se não bastasse, a falta de recursos financeiros para a compra de uma simples cadeira de rodas dificulta o ir e vir dessas pessoas além da conta. É falta de humanidade impedir alguém de se locomover. Mas somos, no mínimo, obrigados a ter humanidade, porque é esse o nome que carregamos nas costas. Por isso, falaremos neste post sobre como entregar uma cadeira de rodas para doação. É uma forma de ajudar, de não ficar parado vendo alguém sofrer. Se a inércia de alguns representantes não consegue representar uma minoria, uma maioria consegue fazer algo por eles. Então, façamos.

Para facilitar a sua leitura, dividimos esse post em alguns tópicos:

Mobilidade urbana

No começo deste post, enfatizamos as dificuldades que cadeirantes enfrentam para se locomover nas cidades brasileiras e a responsabilidade de nossos governantes em prover as condições necessárias para essa população. De forma alguma queremos apontar os políticos como únicos culpados pelas precárias condições do planejamento urbano, porém a atribuição maior cabe a eles.

Dizemos isso não somente por causa da situação das pessoas com deficiência física. Somos obrigados a perceber uma falha enorme na mobilidade urbana. Trânsito caótico, estruturas viárias comprometidas ou obstruídas, falta de sinalização e investimento aquém do necessário em campanhas de conscientização.

Tudo o que envolve o tema necessita de discussão, de reflexão e ações imediatas. Passados alguns anos do decreto da Lei nº 12.587/2012, que instituiu a Política Nacional de Mobilidade Urbana, o que de fato você, cidadão e eleitor, tem percebido de melhorias na eficiência de: prestação dos serviços de transporte urbano, eficácia na circulação urbana, equidade no uso do espaço público de circulação e prioridade nos modos de transporte não motorizados e nos serviços de transporte coletivo, em contraposição aos motorizados e individuais, respectivamente?

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Nosso blog fez uma matéria interessante dias atrás sobre a doação de bicicletas usadas, que acabou demonstrando que há um bom investimento de prefeituras de grandes cidades em ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. É um dos tópicos que a legislação fundamenta como princípio.

Se essa rua fosse minha… Essa rua deveria ser de todos

No entanto, há muito mais pelo que se fazer, principalmente, como focamos neste post, os itens I, III e VIII do artigo 5º, que estabelecem:

Art 5º A Política Nacional de Mobilidade Urbana está fundamentada nos seguintes princípios:

I – acessibilidade universal;

(…)

III – equidade no acesso dos cidadãos ao transporte público coletivo;

(…)

VII – justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do uso dos diferentes modos e serviços;

(…)

E os itens I e III do artigo 7º, que determinam:

Art. 6o  A Política Nacional de Mobilidade Urbana é orientada pelas seguintes diretrizes:

I – integração com a política de desenvolvimento urbano e respectivas políticas setoriais de habitação, saneamento básico, planejamento e gestão do uso do solo no âmbito dos entes federativos;

(…)

III – integração entre os modos e serviços de transporte urbano;

(…)

Mas você deve estar pensando: eu abri uma matéria pra saber como oferecer cadeira de rodas para doação ou recebê-la. Cadê?

Pedimos desculpas, mas nós trataremos disso ainda. É que não há como falar da doação de cadeiras de rodas sem mencionar as dificuldades que pessoas com deficiência física passam no meio urbano.

As revindicações da população cadeirante são justas e mais que necessárias. O Brasil possui 45 milhões de cidadãos com algum tipo de deficiência (auditiva, física, intelectual ou visual). E uma boa parte deles são pessoas com dificuldades motoras. Na verdade, 1,3% de toda a população tem algum tipo de deficiência física. Quase a metade do grupo com deficiência física (46,8%) tem grau intenso ou muito intenso de limitações. E sabe quantas ruas do país têm rampa de acesso para cadeirantes? Apenas 4,7%. :@



É por isso que abrimos nosso texto com este foco. Novamente, pedimos desculpas.

Voltemos, então, a falar a respeito de cadeiras de rodas para doação.

Contribuir entregando cadeira de rodas para doação

Qual é a sua rotina diária? Você acorda pela manhã, levanta, calça o chinelo e anda pela casa? Pense então se, algum dia, você precisasse de uma cadeira de rodas, por conta de algum acidente, por exemplo. Pra complicar, se você não tivesse condições financeiras para bancar a compra de uma. O que você faria?

Pode acreditar: neste exato momento, existem pessoas que vivem essa situação. Afinal, uma cadeira de rodas não saí por menos de R$ 250,00 e, para quem tem que muitas vezes arcar com outras despesas de tratamento, é muito dinheiro.

Nunca se sabe o dia de amanhã. Mas no dia de hoje o que nós sabemos é que nem todo mundo tem a rotina maravilhosa de poder ir e vir, pois, além da limitação física, não tem cadeira de rodas nem para transitar pela casa.

Promover a autonomia e a liberdade com cadeira de rodas para doação

Para a independência dessas pessoas, o primeiro passo é a conscientização. Falamos muito dela anteriormente. Porém, é necessário mais que isso.

Vivemos num país com muitas dificuldades de justiça social. Temos falado em nosso blog sobre essa realidade, que podemos mudar com nossas atitudes. Entregar uma cadeira de rodas para doação pode parecer pouco. Mas não é.

É muito para um indivíduo que tenha a oportunidade de ir ao médico para se consultar sem precisar ser carregado nos braços de outra pessoa, para alguém que possa ir ao mercado sem precisar ligar para algum parente pra poder se alimentar, para um cadeirante que possa trabalhar ou estudar. E ser livre. No final, é isso que mais importa.

Ajude agora: veja locais que precisam de cadeiras de rodas para doação urgentemente

#1 Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás (Adfego)

Endereço: Avenida Independência, 3.026 — Vila Nova, em Goiânia/GO
Telefone: (62) 3202-3313

#2 Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef)

Endereço: Estrada Velha de Maricá, 4.830 — Rio do Ouro, em Niterói/RJ
Telefone: (21) 3262-0050

#3 Associação dos Deficientes Físicos de Poços de Caldas (Adefip)

Endereço: Rua José Bernardo, 298 — Jardim Country Club, em Poços de Caldas/MG
Telefone: (35) 3697-3100

#4 Sociedade de Apoio ao Deficiente Físico (Soadf)

Endereço: Rua Coelho de Resende, 2.500 — Aeroporto, em Teresina/PI
Telefone: (86) 3225-2251

#5 Fraternidade Cristã da Pessoa com Deficiência de Xanxerê (Fcdx)

Endereço: Rua Amazonas, 404 — Centro, em Xanxerê/SC
Telefone: (49) 3433-5175 / 7175

#6 Centro de Reabilitação Física do Espirito Santo (Crefes)

Endereço: Rua Gastão Roubach, s/n — Praia da Costa, em Vila Velha/ES
Telefone: (27) 3636-2163

Mais uma dica: como ajudar uma pessoa com deficiência física a ganhar uma cadeira de rodas em doação

Se você não tiver alguma cadeira de rodas para doação, não tem problema.

Você pode contribuir de outra forma. Participe da Campanha Anéis Solidários. E assim você ajuda quem precisa. A Campanha Anéis Solidários é uma ação social sem fins lucrativos, que tem como objetivo ajudar pessoas com deficiência física com cadeira de rodas para doação. A iniciativa possibilita, desta maneira, uma melhoria na qualidade de vida de pessoas com deficiência.

E como você pode ajudar?

Basta juntar aqueles anéis das latas de alumínio de refrigerante, por exemplo, e entregar para a iniciativa solidária. Os anéis são vendidos a uma fundição de alumínio para a reciclagem, e toda a renda é revertida em doações.

É preciso arrecadar 380 mil anéis para receber uma cadeira de rodas para doação. Uma comissão da campanha é quem aponta quais instituições possuem maior necessidade no momento, e a doação da cadeira de rodas é revertida a ela.

Só que também é possível indicar uma instituição, que entra em uma lista de espera. É por isso que cada contribuição é muito importante e bem-vinda ao projeto. Ajude com esse propósito e colabore você também com a campanha! Comece agora mesmo, junte os anéis e entregue nos postos de arrecadação que estão no site da campanha Anéis Solidários.

Categorias: DoaçãoSaúde

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